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Moacir Barbetta trabalha na agricultura desde criança - Foto: Helena Marquardt/ADR Ibirama

“Trabalhamos de segunda a segunda e não dá para desanimar.” A frase do produtor de leite Moacir Barbetta, de Presidente Getúlio, resume bem a rotina dos milhares de agricultores catarinenses, muitos do Alto Vale do Itajaí, que são os responsáveis por produzir boa parte dos alimentos vendidos no país, e  estão sendo lembrados ao longo da semana em diversas festas em homenagem a colonos e agricultores.

Moacir entende como poucos a rotina na agricultura e destaca que para quem acorda cedo, antes mesmo do sol nascer, é preciso perseverança e força de vontade. Hoje, com 46 anos, o morador da localidade de Ribeirão Sabiá, conta que faz parte da terceira geração da família trabalhando no ramo leiteiro e desde criança precisou ajudar no cuidado com os animais para garantir o sustento da casa. “Com sete anos já tinha que ajudar na ordenha, na limpeza das instalações e conforme a idade ia avançando as responsabilidades aumentavam” lembra.

Apesar de todos os desafios, e ao contrário da maioria dos jovens que preferem abandonar a agricultura e viver em grandes centros, o getuliense que estudou apenas até  a quarta série do ensino fundamental diz que sempre gostou da lida no campo e quis dar sequência ao trabalho realizado pelos pais. “Isso já veio dos meus avós e não quis deixar. Claro que a gente foi melhorando as instalações e investindo em tecnologia e fazendo cursos, mas jamais pensei em largar tudo. O que eu mais gosto da minha vida na agricultura é ver que o trabalho que a gente faz para as outras pessoas porque alguém tem que produzir os alimentos.”

Ele conta que há cerca de cinco anos decidiu investir na propriedade e graças a modernização das instalações, com a compra de uma ordenhadeira canalizada, hoje a produção de leite chega a 15 mil litros por mês e exige dedicação para cuidar dos 62 animais da propriedade.

Além da venda do leite a família ainda faz produtos como queijo e doces para ajudar na renda ao final do mês e é através do dinheiro que ganha na agricultura que ele sustenta a esposa e as filhas de 11 e 2 anos. Para o futuro,  sonha em vê-las formadas na faculdade e morando na propriedade. “Claro que elas têm que escolher a profissão que querem seguir, mas eu ficaria feliz se elas continuassem o nosso trabalho.”

Agricultura como base da economia

No Alto Vale a agricultura representa uma parcela importante do movimento econômico e em alguns municípios como Presidente Nereu esse percentual chega a 82%. Em Vitor Meireles 65% da economia é baseada na produção do campo, já em Witmarsum o número é 55,7%.

Apesar de contar com pouco mais de 30% de representatividade econômica, a agricultura de Presidente Getúlio é considerada como uma das mais fortes na região e garante o sustento ao maior número de famílias: são cerca de 1.100 vivendo exclusivamente da renda que vem do trabalho no campo.

Luciano Pereira também faz parte desse número e herdou da família o amor pela agricultura, mas lembra que no passado já decidiu se aventurar em outros setores. Trabalhou como frentista até retornar para a agricultura em 2010. Hoje ele produz cachaças, licores, açúcar, doces artesanais, rapadura e melado junto com a esposa e afirma que o negócio próprio é a realização de um sonho. “Comecei fazendo mil litros de cachaça por ano e hoje a produção já é de 125 mil”.

Alto Vale do Itajaí - Agricultores lembram realizações e dificuldades da vida no campo
Luciano Pereira deixou o campo, mas decidiu voltar para a agricultura em 2010 - foto: Helena Marquardt/ADR Ibirama

Para pequenos produtores como Luciano a consultoria de técnicos da Epagri também vem sendo fundamental.  Foi graças à participação em diversos cursos gratuitos que  ele conseguiu melhorar os resultados e hoje sabe que o atendimento e a qualidade do produto são essenciais, uma receita que hoje traz a realização profissional e pessoal.  “Posso dizer que hoje sou muito feliz e meus planos são todos de investir e continuar aqui”, finaliza.

Governo de SC incentiva permanência no campo através de diversos programas

Reconhecendo a importância do trabalho de agricultores como Moacir e Luciano, a gerente de Políticas Socioeconômicas Rurais e Urbanas da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Ibirama, Edna Beltrame Gesser, revela que o Governo de Santa Catarina tem incentivado a permanência no campo através de diversos programas, como por exemplo o Terra Boa, que só nos municípios que compõem a Regional,  investiu  em 2017 R$621.968,54 em calcário, kits forrageira, sementes de milho  e kits de apicultura.

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Helena Marquardt
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