Além da receptividade quanto aos ideais liberais,
a investida dos farroupilhas à Laguna, levou em consideração
o seu valor como centro abastecedor das tropas e por ser um porto de
mar à disposição, no momento em que estavam sem
saída para o mar, no Rio Grande do Sul. Daí o interesse
de incorporá-la à República de Piratini.
A tomada de Laguna foi feita pela ação conjugada das forças
farroupilhas, as de mar sob comando de Giuseppe Garibaldi e as de terra
tendo à frente Davi Canabarro.
Assim, a 22 de julho de 1839, estava Laguna em poder dos farroupilhas.
Deram-lhe o nome de "Cidade Juliana de Laguna" e instalaram
o Governo Provisório da "República Catarinense",
sob a presidência de Davi Canabarro. Propôs o mesmo, que
se organizasse de forma democrática, a nova república
e, para tal, ordenou que a Câmara Municipal procedesse à
eleição provisória do Presidente da "República
Catarinense".
A extensão das forças liberais no litoral catarinense
exigiu, por sua vez, que o Governo Central colocasse na Presidência
da Província um elemento com larga experiência; tratava-se
do Marechal Francisco José de Souza Soares Andréa, militar
de relevantes serviços à causa legalista. Imediatamente
foi organizada a repressão, ocasionando a derrota farroupilha.
A derrota naval dos farroupilhas ocorreu no final de 1839 e a eles,
só restou, como alternativa, marchar por terra em direção
ao planalto sob o comando do Coronel Joaquim Teixeira Nunes e de Garibaldi.
É nesse trajeto que muitos deles são aprisionados, entre
eles Ana de Jesus Ribeiro (Anita Garibaldi) que consegue fugir e reunir-se
a Garibaldi em Lages, para seguirem logo após para o Rio Grande
do Sul.
Em março de 1840 desaparece a efêmera república
em Santa Catarina. Entretanto, apenas em 1845 finaliza a Revolução
Farroupilha quando o Governo Imperial aceita muitas das reinvindicações
dos gaúchos.
Anita Garibaldi
A catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro tornou-se
legendária nas lutas liberais dos dois lados do Oceano Atlântico
-- quer nas terras brasileiras, quer nas da península italiana
-- e, por isso, foi denominada de "Heroína dos Dois Mundos",
com o nome de Anita Garibaldi.
A presença de Garibaldi na Laguna fez com que Anita se envolvesse
com a causa farroupilha participando da reação contra
as forças imperiais e acompanhando os revolucionários
na retirada da Laguna em direção ao planalto.
Em janeiro de 1840, Anita foi feita prisioneira quando os farroupilhas
são atacados de surpresa, em local próximo ao rio Marombas.
Entretanto, consegue fugir e, embora grávida, vai reunir-se a
Garibaldi em Lages e dai seguem para o Rio Grande do Sul. A partir daí,
sofreu todos os contratempos que uma revolução possa trazer,
sempre acompanhando o seu Garibaldi.
Em 1841 partem para o Uruguai onde lutam em favor da preservação
da república uruguaia, com a "Legião Italiana de Montevideo", onde Anita continua como enfermeira dedicada aos companheiros
do marido.
Acompanha Garibaldi, em 1848, quando este retorna à terra natal
para prosseguir na luta pela unificação da Itália.
Neste mesmo ano Anita veio a falecer em território italiano.