A partir de 1870, o império passou a enfrentar
dificuldades crescentes, motivadas pelas mudanças de ordem econômica, tais
como: a expansão cafeeira, a substituição da mão-de-obra escrava pela
assalariada, a expansão das atividades industriais, comerciais e dos
transportes; alterações sociais como o crescimento da população urbana,
aumento da classe média urbana, maior escolarização etc.
Além disso, a crescente oposição dos que defendiam a república, organizou
um novo partido - o republicano. A campanha em defesa do regime
republicano correspondia às aspirações políticas dos novos grupos sociais
e dos seus interesses econômicos.
Os vários segmentos da sociedade - como os produtores de café, os
militares, os funcionários públicos e os profissionais liberais - reagiram
contra a monarquia, cujas críticas concentraram-se no Manifesto
Republicano divulgado em 1870, um pouco antes da criação do partido
republicano. Essas críticas referiam-se, dentre outros motivos: à
estagnação da vida política causada pelos partidos existentes (liberal e
conservador); à excessiva centralização política e administrativa, que
impedia a autonomia das províncias; à manutenção do trabalho escravo.
Participação de Santa Catarina no movimento republicano
O Partido Republicano consolidou-se inicialmente em algumas províncias,
como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Assim como o restante do país, Santa Catarina não participou do Manifesto
de 1870 e da fundação do Partido Republicano, porém, não ficou à margem
dos dois grandes temas da época, abolição da escravatura e idéias
republicanas, manifestando-se em âmbito regional, com propagandas e
movimentos sendo feitos através de clubes e jornais.
Foram fundados o Clube de Camboriú, em 1887, sob a presidência de Manoel
Antônio Pereira, o "Clube Republicano Federalista" de Joinville e o "Clube
Republicano Esteves Jr.", no Desterro, sob a presidência do farmacêutico
Raulino Júlio Adolfo Oto Horn, no mesmo ano, e tendo como vice-presidente
Gustavo Richard.
Dentre os jornais que divulgaram as idéias republicanas, surgiu, no
Desterro, a "Voz do Povo" que, inclusive, se considerava "órgão do partido
Republicano". Em 1886 surge outro, "O Independente", em Tijucas e também
"A Folha Livre", que foi o jornal republicano de Joinville. Ainda
apareceram "A Evolução" na capital e o "Blumenauer-Zeitung", em Blumenau.
A proclamação e a adesão à República
No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, à frente de
um grupo militar apoiado por outros grupos republicanos, proclamou a
República no Rio de Janeiro. No mesmo dia, foi organizado o governo
provisório, chefiado pelo próprio Marechal.
Logo após o recebimento da notícia da proclamação, os associados do Clube
Republicano do Desterro e os oficiais da Guarnição Militar aclamam um
triunvirato destinado a assumir o governo catarinense. Essa Junta
Governativa foi composta por Raulino Horn, pelo Coronel João Batista do
Rego Barros (comandante da guarnição militar) e pelo Dr. Alexandre
Marcelino Bayma, médico da referida guarnição.
A substituição do Presidente da Província, Dr. Luís Alves Leite de
Oliveira Bello, pelo novo governo, foi feita de forma pacífica, com a
adesão dos deputados monarquistas presentes. Ao proclamar-se a República,
já existia, em território catarinense, uma Câmara Municipal totalmente
republicana: a de São Bento do Sul.
Um a um, os demais municípios catarinenses vão aderir ao novo regime, que
fortalece as lideranças regionais e Santa Catarina passará a ser governada
por seus filhos, com a condução dos negócios públicos de acordo com os
anseios da comunidade catarinense.
O primeiro governo republicano
Para o governo de Santa Catarina, foi escolhido o Tenente Lauro Severiano
Müller, que chegou ao Desterro em 1889.
Suas primeiras atitudes foram no sentido de fazer o congraçamento da
população catarinense através de visitas aos vários municípios. Após a
dissolução das Câmaras Municipais, criou as Intendências Municipais.
O novo governo federal convocou, de imediato, uma Assembléia Constituinte
e, em 1890, foram realizadas as eleições. Desta maneira, com a saída de
Lauro Müller, o governo do Estado ficou sob a responsabilidade de Gustavo
Richard, que era o 2o vice-governador.
Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a Constituição Federal que
estabeleceu, no Brasil, a República Federativa, correspondente à união dos
estados autônomos.
Alterou bastante a organização do Estado, como por exemplo, o Presidente
da República seria eleito pelo povo: senadores e deputados também seriam
eleitos pelo povo, cujo direito de voto caberia aos cidadãos homens,
maiores de 21 anos e alfabetizados; as províncias passariam a ser Estados,
com maior autonomia política e administrativa etc.
Em seguida, estabeleceram-se as eleições para a Assembléia Constituinte
Estadual. A Constituinte de Santa Catarina foi instalada a 28 de abril de
1891 e, no mês seguinte, elegia para governador o mesmo Lauro Müller e,
para primeiro e segundo vices, Raulino Horn e Gustavo Richard,
respectivamente. Em junho, os constituintes davam, ao Estado, a sua
primeira Constituição.
A partir daí, foi efetiva a participação política de Lauro Müller,
galgando os mais altos postos, como: governador do Estado, senador,
ministro da viação e obras públicas e ministro das relações exteriores.